Artigos


Visão é uma questão de saúde pública

Muitas doenças oculares só são percebidas quando a visão já está comprometida. Exames preventivos devem começar no berçário.

Pesquisa recente divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que 78,6% da população, ou 138 milhões de pessoas, estão satisfeitas com a própria saúde. Para oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, quando o assunto é prevenção de doenças oculares o Brasil está muito aquém. Tanto é assim que a catarata, glaucoma e degeneração macular ainda cegam muitos brasileiros, apesar de serem doenças passíveis de tratamento e controle.

"O diagnóstico precoce é fundamental para a prevenção e cura de doenças oculares, uma vez que algumas patologias não apresentam sintomas e são percebidas pelo paciente apenas quando a visão já está prejudicada", alerta Queiroz Neto.

“Felizmente, 60% dos casos de cegueira podem ser prevenidos ou curados”, diz Queiroz Neto.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 180 milhões de pessoas em todo o mundo apresentam algum tipo de deficiência visual. Destes, 50 milhões são cegas e 135 milhões correm o risco de ficar cegas.

O médico aponta que os defeitos refrativos mais conhecidos como miopia, hipermetropia e astigmatismo, acometem 50% da população e podem trazer sérios prejuízos visuais aos seus portadores se não forem devidamente corrigidos no momento certo. Neste aspecto, é altamente recomendável que todas as crianças sejam submetidas a um teste de acuidade visual na fase de escolarização.

Quanto aos brasileiros que usam óculos ele recomenda visitas periódicas ao oftalmologista. Prova disso é censo realizado pelo IBGE demonstra que a maioria das pessoas que usam óculos continuam com dificuldades para enxergar. A informação reforça o que a OMS já comprovou: problemas de visão devem ser tratados como questão de saúde pública.

Pesquisa do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) 85 milhões de brasileiros, ou seja, metade da população enxerga mal. De acordo com a Abiótica, em 2005 apenas 24 milhões corrigiam seus problemas de visão, ou seja, menos de 30% das pessoas que têm problemas de visão;

Quando realizar exames de acuidade visual?

Em toda a fase da vida, cuidados com a visão são importantes. Segundo Queiroz Neto a prevenção deve começar logo após o parto, mas ressalta que os olhos também envelhecem e por isso os cuidados são diferentes em cada faixa etária.

- Na infância: A avaliação ocular no bebê detecta se há indícios de glaucoma ou catarata congênitos, miopia, hipermetropia, astigmatismo e doenças hereditárias como anomalias da retina, córnea, íris e nervo óptico. O estrabismo só é analisado com exatidão a partir dos seis meses de idade. Uma atenção especial deve ser dada a bebês prematuros. Por volta dos três anos, época da pré-escola, a criança também deve passar pelo oftalmologista, mesmo que não tenha apresentado nada nos exames iniciais, para checar se os dois olhos estão se desenvolvendo plenamente. Por volta dos sete anos, a criança deve retornar ao médico, já que cerca de 15% das crianças do ensino fundamental apresentam algum tipo de problema visual, o que compromete o seu rendimento.

- Na fase adulta: Depois dos 40 anos, os exames são obrigatórios e devem ser de preferência anuais ou bianuais, pois é quando surge a presbiopia (vista cansada), que afeta a qualidade de vida e a produção no trabalho. É também o momento de avaliar o aumento de pressão intra-ocular, bem como outros indícios de glaucoma. Mulheres em período de menopausa estão mais propensas à síndrome do olho seco que se não for tratada pode danificar a córnea. A necessidade de exames preventivos na fase adulta também é cada vez mais necessária devido ao uso constante do computador como instrumento de trabalho e também pelo aumento da longevidade. Hoje, a expectativa de vida do brasileiro é de 71,3 anos. Por volta do 55 anos pode surgir a catarata, maior causa de cegueira no mundo, mas a doença é totalmente reversível através de cirurgia.


 

<< voltar

© 2007 Leôncio de Souza Queiroz Neto. Todos os direitos reservados.