Dr. Leôncio Queiroz Neto

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Catarata

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O que é?

A Catarata é a turvação progressiva do cristalino que interfere na absorção da luz que chega a retina, causando uma visão progressivamente borrada. A leitura fica mais difícil e dirigir um carro pode se tornar perigoso. O portador de catarata pode se sentir incomodado por luz forte ou ver halos ao redor das luzes.

No início, a mudança no grau dos óculos pode ajudar, mas com o avanço da catarata a visão vai diminuindo. Na maioria dos casos a catarata é bilateral, no entanto assimétrica.

A Catarata atinge quase metade (46,2%) da população mundial com mais de 65 anos. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que no mundo 160 milhões de pessoas tenham a doença, considerada questão de saúde pública e a maior causa de cegueira evitável. No Brasil são 2 milhões e surgem 120 mil novos casos ao ano.

Quais os sintomas?

O olho humano possui uma estrutura intraocular denominada cristalino. O cristalino (localizado atrás da íris) é incolor e quase completamente transparente, medindo cerca de 4 mm de espessura e 9 mm de diâmetro. Sua função é focalizar os raios luminosos sobre a retina. A capacidade que ele tem de mudar seu formato para permitir a focalização de objetos próximos sobre a retina é denominada acomodação. A partir dos 40 anos, o poder de acomodação do cristalino torna-se gradativamente reduzido, aparecendo o que chamamos de presbiopia - também conhecida como visão cansada, havendo a necessidade de óculos para perto.

O cristalino pode sofrer alterações como opacificação, distorção, deslocamento ou anormalidades geométricas. Qualquer uma dessas alterações vai originar uma visão borrada sem ocasionar dor.

A alteração mais freqüente do cristalino é a sua opacificação, que denominamos Catarata.

Entre os fatores de risco da doença estão os maus hábitos alimentares e o stress da vida moderna que induzem ao acúmulo de oxidantes, além da excessiva exposição à radiação ultravioleta emitida pelo Sol. Só para se ter uma idéia, o risco de surgir a catarata aumenta em 60% para quem não protege os olhos do Sol. Apesar de fazer parte do processo natural do envelhecimento, logo que não há como prevenirmos, devemos diminuir a exposição aos fatores de risco e levar uma vida mais saudável:

  • Evitando o consumo excessivo de sal, tabaco e bebidas alcoólicas.
  • Adicionando à alimentação frutas e vegetais ricos em vitamina A, C e E que atuam como antioxidantes do cristalino.
  • Controlando os níveis de glicose no sangue através de exames periódicos.
  • Praticando exercícios.

Quais são as causas?

A catarata pode ter várias etiologias como traumática, congênita, por uso de medicamentos, inflamatória, entre outras. Porém, a causa mais comum de catarata é aquela relacionada à idade, também denominada catarata senil. Estima-se que mais de 50% das pessoas acima de 55 anos e algumas mais jovens sofram de catarata.

Qual o tratamento?

Não existe tratamento clínico para a catarata: uma vez formada o único tratamento existente é a sua extração cirúrgica, indicada quando a diminuição visual interfere nas atividades normais do paciente, piorando sua qualidade de vida. Uma outra indicação para sua extração é quando ocasiona aumento na pressão intraocular do paciente.

Antigamente, a cirurgia de catarata era considerada arriscada e era evitada sempre que possível. Havia a necessidade de internação hospitalar por uma semana ou mais e as complicações eram freqüentes, havendo a necessidade de usar um óculos extremamente forte após a cirurgia.

Atualmente a cirurgia é feita em regime ambulatorial com anestesia local de forma personalizada, conforme o perfil clínico e hábitos de cada pessoa, e deve ser programada quando 50 - 60% da visão já foi perdida. São duas as técnicas para extração da catarata:

Extração extra-capsular do cristalino (EECC)

A EECC é uma técnica ainda muito utilizada, porém exige uma grande incisão para a retirada da catarata. Com mais pontos cirúrgicos, acarreta em um retardo na recuperação da visão nítida - que ocorrerá num intervalo de 60 a 90 dias.

Facoemulsificação

Técnica mais avançada, que consiste em uma pequena incisão através da qual entra um aparelho que se utiliza de ondas de ultrassom para fracionar o cristalino e aspirar todos os seus fragmentos. Durante a cirurgia é mantida a cápsula posterior (saco capsular) do cristalino, para que sobre ela seja colocada uma lente intraocular (LIO).

Nesta técnica emprega-se lentes intraoculares flexíveis ou expansíveis. A incisão tunelizada é auto-selante: irá cicatrizar-se com ajuda da pressão natural do olho; entretanto, o médico poderá decidir executar um ponto para maior segurança. A recuperação visual é mais rápida que na EECC, devido à pequena incisão e as LIOs dobráveis e ou expansíveis.

A lente intraocular que será implantada é permanente, o que torna sua escolha bastante importante:

  • Bifocais: corrigem a visão de perto e de longe, mas não oferecem boa visão para a meia distância. Para quem trabalha em computador as mais adequadas são as multifocais que permitem boa visão de perto, meia distância e de longe. Já para quem tem hábito de dirigir à noite as multifocais apodizadas reduzem a visão de "glare" ou halos noturnos, além de terem proteção ultravioleta.
  • Multifocais: corrigem miopia (dificuldade de enxergar de longe) e hipermetropia (dificuldade de enxergar de perto), sendo mais eficientes no segundo caso, porém não são indicadas para quem passou por cirurgia refrativa, portadores de catarata madura, degeneração macular, retinopatia diabética e doenças corneanas, ou pessoas que já tenham implantado lente monofocal em um dos olhos.

Em algumas ocasiões pode não ser possível o implante da LIO no ato cirúrgico: nestes casos o paciente tem a alternativa de uso de óculos ou lente de contato ou até mesmo de fazer o implante num segundo tempo cirúrgico.

Apesar de todo o avanço na cirurgia da catarata e de todo o cuidado do cirurgião, o paciente tem que ter em mente que nenhum ato cirúrgico é banal ou isento de complicações. Embora pouco freqüentes, descolamento de retina, opacificação da córnea, aumento da pressão intra-ocular, inflamação e infecção ocular podem ocorrer.

No período de recuperação é muito importante que o paciente siga todas as orientações de seu médico, use adequadamente as medicações prescritas e compareça a todos os retornos marcados, para evitar ou mesmo detectar precocemente qualquer complicação.

As pessoas têm diferentes períodos de recuperação, mas a maioria dos pacientes apresenta uma melhora significativa da visão rapidamente após a cirurgia.

Geralmente o paciente vai necessitar de óculos após a cirurgia, sendo que o mesmo costuma ser prescrito em torno de 4 a 6 semanas de pós-operatório; muitas vezes estes óculos são apenas para a visão de perto (leitura).

Uma vez removida, a catarata não voltará. No entanto, com o decorrer do tempo, em alguns pacientes pode haver uma opacificação daquela cápsula posterior que foi preservada para poder ser implantada a LIO; nestes casos o problema é geralmente resolvido por meio de um rápido tratamento denominado Yag Laser, que é realizado no próprio consultório.

Última geração de lentes intraoculares corrigem o foco para todas as distâncias, melhoram a visão de profundidade e a capacidade de adaptação em ambientes mal iluminados

Segundo o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, toda pessoa que tem catarata é também portador de presbiopia ou vista cansada. O distúrbio é o primeiro sinal de envelhecimento do cristalino, que progressivamente perde a flexibilidade como acontece com todo nosso corpo - e o resultado é dificuldade de enxergar de perto. A presbiopia acontece mesmo com quem nunca usou óculos e transforma num verdadeiro tormento a leitura, uso do computador, celular, GPS entre outras atividades próximas.

Hoje o Brasil tem 15,7 milhões de pessoas com mais de 60 anos e 74% desta população é economicamente ativa, o que significa que enxergar bem se tornou essencial nesta faixa etária que tem um decréscimo significativo da visão.

A boa notícia é que a mais nova lente intraocular (terceira geração de lentes intraoculares multifocais) utilizada na cirurgia de catarata garante a completa recuperação da acuidade visual.

A primeira geração de multifocais, explica, corrigia a visão de perto e longe, mas não eliminava imperfeições da córnea que surgem com o envelhecimento, dificultando a adaptação a diferentes índices de luminosidade.

A segunda geração passou a corrigir estas imperfeições, tornando a lente mais próxima do cristalino natural, mas não oferecia boa visão à meia distância - fundamental para quem utiliza computador.

A nova lente corrige até 14 graus de miopia e 8 de astigmatismo. A principal diferença em relação às gerações anteriores é o aumento da visão de profundidade. Isso significa melhor visão intermediária, fundamental para evitar a síndrome da visão no computador (CVS) nos 2/3 dos aposentados que permanecem em atividade e muitas vezes dependem do computador. Um estudo conduzido pelo especialista mostra que a CVS prejudica entre 20% e 40% da produtividade de quem já passou dos 40 anos de idade.

Outro ponto, observa, é a redução do esforço visual para adaptar a visão aos diferentes níveis de iluminação do monitor. Isso só é possível porque a nova lente tem uma zona óptica para perto maior que as versões anteriores. Por isso, explica, tem capacidade adicional de regular a quantidade de luz que chega à retina. Por conta dessa característica permite menor esforço da musculatura ciliar e dos músculos ao redor dos olhos, diminuindo a fadiga visual, além de melhorar a visão noturna e de contraste. Por isso, reduz em 50% o risco de acidentes no trânsito e no trabalho permite a um executivo de 60 anos ou mais o mesmo desempenho de uma pessoa com 20 anos de idade.

Catarata madura dificulta cirurgia

O médico diz que muitas pessoas ainda acreditam que a catarata deve estar “madura” para ser operada. Ele explica que quanto maior o avanço da doença, maiores são as chances de complicações cirúrgicas. Isso porque, o cristalino torna-se muito rígido a ponto de em alguns casos ser necessário recorrer à técnica cirúrgica extracapsular que antecedeu à facoemulsificação, hoje utilizada em todos os grandes centros médicos. Além disso, comenta, a catarata madura pode impedir o implante de lentes multifocais que dispensam o uso de óculos em 80% dos casos.