Dr. Leôncio Queiroz Neto

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Cirurgias Refrativas

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Estudos mostram que a cirurgia refrativa para corrigir erros de refração - miopia, hipermetropia, astigmatismo - melhora a qualidade de vida e a auto-estima. Atualmente, o procedimento é mais seguro e preciso, permitindo a correção cirúrgica dos erros refrativos em córneas mais finas. Altos graus de miopia também já podem ser corrigidos com o implante de uma lente intraocular. Se você não enxerga bem, saiba como os avanços tecnológicos na Oftalmologia permitem que um número cada vez maior de pessoas experimente um mundo novo sem óculos ou lentes de contato.

Técnicas

As cirurgias refrativas corrigem miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia através da aplicação de um feixe de laser que remodela a curvatura da córnea.

Podem ser realizadas através de 3 tecnologias:

Independente da tecnologia trata-se de um procedimento ambulatorial, feito sob anestesia local, que não pode ser banalizado. Antes da operação o paciente é submetido a uma bateria de exames para avaliar: produção lacrimal, espessura da córnea, saúde das diversas estruturas oculares e ausência de doenças sistêmicas que comprometem a cicatrização.

O sucesso da cirurgia depende da experiência do cirurgião e da avaliação das necessidades visuais de cada paciente que determinam qual a melhor técnica para cada caso. As técnicas são:

  • PRK: Consiste na raspagem do epitélio, camada externa da córnea, para posteriormente ser aplicado o laser. O pós-operatório e mais dolorido e lento que o Lasik. A técnica é indicada para córneas mais finas desde que o grau seja moderado.
  • Lasik: Com uma lâmina, o microcerátomo, é feito um corte manual no epitélio chamado de lamela ou flap. O cirurgião esculpe o interior da córnea com o excimer laser para eliminar o grau e recoloca o flap no lugar. A recuperação é mais rápida. Causa mais olho seco, mas o problema é transitório.
  • Presbilasik: É indicado para a correção de presbiopia ou vista cansada que surge depois do 40 anos em 100% das pessoas, diminuindo a visão de perto. Consiste em esculpir com o excimer laser a parte central da córnea para enxergar de perto e a parte periférica para enxergar de longe. Por ser um procedimento que busca solução na córnea para um problema que surge no cristalino diminui a visão de contraste e causa mais ofuscamento, mas elimina a necessidade de usar óculos de leitura.
  • Cirurgia Personalizada: Associa auto-refração, topografia da córnea e laser para maximizar o resultado da cirurgia refrativa. É realizada com wavefront ou sistema de frente de onda que permite detectar pequenas imperfeições na córnea conhecidas como aberrações, além dos erros de refração. O pré-operatório exige a realização da aberrometria que mapeia estas imperfeições. Resulta em visão noturna mais nítida por eliminar imperfeições da córnea que reduzem a nitidez da visão durante a noite. A técnica é mais indicada para astigmatismos irregulares.
  • Intralase: Trata-se da cirurgia totalmente a laser – do corte à modelagem da córnea feita com excimer laser. O corte a laser permite que o procedimento seja realizado em córneas mais finas, torna o procedimento mais seguro e previsível.
  • Implante de lente intraocular para alta miopia: É implantada entre a íris e a córnea, sem retirada do cristalino como acontece na cirurgia de catarata. O implante é feito através de uma incisão de 3 mm que cicatriza naturalmente, sem pontos. A técnica é indicada para altos míopes, ou miopia moderada a partir de 6 graus quando a córnea é fina. A experiência médica mostra que o implante pode ser associado com aplicação de laser para eliminar algum grau residual em casos de miopia muito elevada.

Independente da técnica cirúrgica aplicada todo paciente que passa por cirurgia refrativa deve fazer acompanhamento médico anual. A maioria das doenças oculares não apresenta sintomas no estágio inicial e pode aparecer em decorrência do envelhecimento. Os tratamentos são mais eficazes quanto mais cedo seu oftalmologista diagnosticar a doença.

Erros de Refração

Os erros de refração (miopia, astigmatismo, hipermetropia) são alterações oculares que deformam a imagem captada pela retina, causando embaçamento da visão e sintomas conhecidos como astenopia, irritações, hiperemia, lacrimejamento, dor de cabeça, dor periocular e fotofobia - portanto, ser míope ou hipermétrope não é apenas um desvio da normalidade (emetropia).

O olho completamente desenvolvido corresponde a uma esfera com 23 mm de diâmetro, aproximadamente. Entre crianças, 90% têm hipermetropia porque este diâmetro é igual a 16 mm. Neste olho a imagem que vem do infinito se forma atrás da retina; quanto mais aproximamos um objeto deste olho mais a imagem se afasta da retina. Portanto, o hipermétrope tem dificuldade para enxergar de perto porque as imagens se formam atrás da retina.

Continuando o exemplo, o olho dessa criança se desenvolve como todos os demais órgãos. Supondo que aos 18 anos ele atinja 23 mm a imagem de um objeto no infinito forma-se exatamente sobre a retina. A isso chamamos de emetropia, ou seja, visão perfeita.

Vamos supor agora que este olho cresceu e atingiu 26 mm de diâmetro aos 28 anos. Neste caso, a imagem do objeto no infinito se forma na frente da retina, o que corresponde a miopia. Quando o objeto é aproximado do olho a imagem se forma sobre a retina. Portanto o míope enxerga bem de perto sem necessidade de usar o cristalino, lente natural do olho que responde pelo foco automático das imagens próximas, à meia distância e distantes. O cristalino começa a perder sua elasticidade aos 40 anos. Por isso, hipermétropes, emétropes e míopes com óculos começam a apresentar dificuldade para enxergar objetos próximos. é a presbiopia ou vista cansada que acomete 100% das pessoas com mais de 40 anos. Logicamente a miopia não corrigida com óculos ou lentes de contato sempre permite enxergar bem para perto, bastando tirar os óculos.

Inicialmente comparamos o olho com a esfera, geralmente o olho apresenta-se em menos ou mais graus, com um achatamento (parecido com ovo). Neste caso, a imagem incide em vários pontos, causando uma visão distorcida que caracteriza o astigmatismo. Por isso, é comum a associação da miopia, hipermetropia e presbiopia com astigmatismo.

Por convenção a miopia é corrigida por lentes esféricas negativas (divergentes), a hipermetropia e presbiopia são corrigidas por lentes esféricas positivas (convergentes), e o astigmatismo por lentes cilíndricas negativas ou positivas.


Exemplo:

1- No OD –3,00º DE1,00ºDCx180

Significa que o olho direito apresenta miopia de 3 graus, associado à 1 grau de astigmatismo num eixo de 180º.

2- No OE +2,00º DE0,50ºDCx90º adição de +2,00ºE

Significa que o olho esquerdo apresenta 2 graus de hipermetropia para longe e 4 graus para perto (presbiopia), associado a 0,50º de astigmatismo num eixo de 90º, tanto para longe como para perto.