Com o tempo, o diabetes afeta o sistema circulatório da retina (camada de prolongamento dos nervos onde estão as células receptoras responsáveis por perceber a luz e ajudar a enviar as imagens ao cérebro), e o dano aos seus vasos sangüíneos pode resultar em vazamento de fluído ou sangue (eventualmente fibrose). Estas complicações podem distorcer ou tornar borradas as imagens que a retina envia ao cérebro. Estes efeitos do diabetes na retina são chamados de Retinopatia Diabética.
A retinopatia diabética tem quatro fases:
Não proliferativa inicial: Nesta fase
mais prematura, acontecem os microaneurismas (pequenas áreas
de dilatação dos minúsculos vasos sangüíneos
da retina).A melhor proteção contra a retinopatia diabética é submeter-se a exames periódicos da visão efetuados por um oftalmologista. A retinopatia grave pode existir mesmo sem sinais perceptíveis. Os seguintes exames oftalmológicos são utilizados:
Tonometria: é o uso de um instrumento para medir a pressão
intraocular. Podem ser aplicados anestésicos em seu olho para
este exame.O diabetes, que pode afetar crianças e adultos, é uma doença que ocorre quando o pâncreas não produz a insulina (hormônio responsável pela redução da glicemia) necessária para o organismo. Diabéticos são mais propensos a desenvolver problemas oculares, tais como cataratas e glaucoma, mas as doenças que afetam a retina são a principal ameaça à visão.
A prevalência de retinopatia diabética em diabéticos insulino-dependentes (DID) é de 40%; para diabéticos não insulino dependentes (DNID), 20%. A faixa etária mais acometida está entre 30 e 65 anos, sendo o sexo feminino afetado com maior freqüência. Entre 40 a 45% dos americanos diabéticos apresentam alguma fase da retinopatia diabética.
Outros estudos mostraram que o controle da pressão sangüínea e da taxa de colesterol também podem reduzir o risco da perda de visão. Este controle não só ajudará sua saúde como também protegerá sua visão.
Fatores diversos, tais como gravidez, anemia, hipertensão arterial sistêmica, tabagismo, dislipidemia e doenças renais podem alterar o prognóstico, tornando o exame do fundo do olho (fundoscopia) ainda mais importante nestes casos.
Vasos sangüíneos danificados pela retinopatia diabética podem causar perda de visão de dois modos:
1. Vasos sangüíneos frágeis, anormais, podem crescer desordenadamente e se romper. Assim, espalham sangue para o centro do olho (cavidade vítrea), que poderá levar a perda de visão.
2. O fluído (líquido) pode vazar no centro da mácula, parte do olho responsável pela visão mais discriminativa. Este líquido faz a mácula inchar-se (edema) e altera a visão. Esta condição é chamada de edema macular. Pode acontecer em qualquer fase da retinopatia diabética, embora seja mais provável acontecer nas fases mais avançadas da doença. Aproximadamente 50% das pessoas com retinopatia diabética proliferativa têm edema macular.
Freqüentemente a retinopatia diabética não apresenta sinais precoces. Com o passar do tempo, pode ocorrer perda parcial ou total da visão - em geral em ambos os olhos. Não espere por sinais e sintomas! Esteja seguro e faça pelo menos uma vez ao ano um exame de fundo do olho (chamado também de mapeamento retiniano) com o seu oftalmologista. Se você tem retinopatia diabética, poderá precisar examinar seus olhos mais freqüentemente.
Pessoas com retinopatia proliferativa podem reduzir o risco de cegueira
em 95% com tratamento oportuno e cuidados apropriados.
Os efeitos variam de acordo com o estágio da doença, sendo alguns sintomas comuns:
Quando há sangramento na retinopatia proliferativa, inicialmente você verá alguns pontos de sangue ou manchas "flutuando" em sua visão. Se as manchas aparecerem,
procure o oftalmologista o mais cedo possível: você poderá
precisar de um tratamento urgente, antes que aconteça uma hemorragia
mais séria. Hemorragias tendem a acontecer mais de uma vez, freqüentemente
durante sono, e quanto mais cedo você receber
tratamento mais provável será sua eficácia.
Às vezes as manchas diminuem mesmo sem tratamento, e você enxergará melhor. Porém, se a hemorragia persistir, irá causar uma visão severamente borrada.
Sem tratamento, a retinopatia proliferativa pode causar perda severa de visão e cegueira.
Em muitos casos o tratamento não é necessário mas, periodicamente, o paciente deverá realizar um exame oftalmológico. Em outros casos pode-se recomendar um tratamento para deter o avanço das lesões causadas pela retinopatia diabética e, se possível, melhorar a qualidade da visão.
Pessoas com retinopatia proliferativa têm menos que cinco por cento de chance de perder a visão dentro de cinco anos quando submetidas a tratamento oportuno e apropriado. Embora tenham alto índice de sucesso, os tratamentos não curam a retinopatia diabética.
Se você já teve sua visão reduzida pergunte a um oftalmologista quais os dispositivos que podem ajudá-lo manter sua visão restante. Peça uma indicação de um especialista em visão sub-normal (baixa visão).
Durante as primeiras três fases da retinopatia diabética, não há necessidade de nenhum tratamento, a menos que você tenha edema macular. O tratamento da retinopatia diabética proliferativa é feito através dos seguintes procedimentos:
Este procedimento é chamado pan-fotocoagulação
a laser e faz com que os vasos sangüíneos neoformados
e as áreas de hipóxia retiniana sejam fotocoagulados, reduzindo o edema macular - a mácula é a região
da retina que possibilita ver detalhes minúsculos, como letras
e números.
Para tratar a formação de vasos sangüíneos anormais (neovascularização) as aplicações são espaçadas ao longo das áreas laterais da retina, e normalmente são exigidas duas ou mais sessões para completar o tratamento. Embora você possa notar ligeira perda de visão lateral, de cores e noturna, o tratamento a laser pode preservar a sua visão restante. As pequenas cicatrizes resultantes da aplicação do laser reduzem a formação de vasos sangüíneos anormais e ajudam a manter a retina sobre o fundo do olho, evitando seu descolamento.
A pan-fotocoagulação a laser deve ser aplicada antes que os vasos sangüíneos frágeis neoformados comecem a sangrar. Por isso é importante fazer exame de fundo do olho regularmente. Até mesmo se o sangramento começou, o tratamento a laser ainda pode ser possível, dependendo da intensidade da hemorragia.
O tratamento a laser é executado no consultório ou em clínicas, sempre em regime ambulatorial. Antes da aplicação, seu oftalmologista dilatará sua pupila e anestesiará o olho aplicando colírios. A área atrás de seu olho também poderá ser anestesiada para prevenir desconforto.
Você sentará em frente da máquina de laser, em uma sala escura e seu oftalmologista segurará uma lente especial em frente ao seu olho. Durante o procedimento, você pode ver flashes de luz, os quais poderão gerar uma sensação de desconforto.
Você precisará de alguém para retornar a sua casa depois da aplicação porque sua pupila permanecerá dilatada durante algumas horas e deverá usar óculos de sol.
Sua visão ficará um pouco borrada pelo resto do dia. Se seu olho dói, seu oftalmologista poderá receitar algum medicamento analgésico.
Se
você tem muito sangue no centro do olho (gel da câmara vítrea),
você pode precisar de uma vitrectomia para restabelecer sua visão.
Caso precise do procedimento em ambos os olhos eles serão
operados separadamente com algumas semanas de intervalo. O oftalmologista faz uma
pequena incisão em seu olho e com o uso de um pequeno instrumento
removerá o "gel vítreo" que está misturado
com sangue, utilizando anestesia local ou geral. O gel vítreo é substituído por uma solução
salina. Como o gel vítreo é principalmente constituído
por água, você não notará nenhuma mudança
entre ele e a solução salina.
Você provavelmente poderá voltar para casa depois da vitrectomia. Algumas pessoas pernoitam no hospital. Seu olho ficará vermelho e sensível e você precisará usar um curativo no olho durante alguns dias e colírios para proteger-se contra infecções.