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Dia Mundial do portador do Diabetes

November 14, 2018

 

 

 

 

Diabetes avança entre brasileiros

*Leôncio Queiroz Neto

 

No dia mundial do diabetes, 14 de novembro, a celebração tem como tema a conscientização da família na gestão da doença para ajudar os portadores a adotar hábitos mais saudáveis.   Isso porque, dados da OMS (Organização mundial da Saúde) mostram que o diabetes é hoje uma grave questão de saúde pública. O atlas da OMS aponta que a prevalência global do diabetes é de 8,8%, totalizando 425 milhões de casos e prevê que em 2040 atinja 1 em cada 10 pessoas no mundo.  No Brasil a doença cresceu 61,8% nos últimos 10 anos. Hoje atinge 8,1% da população ou 16,8 milhões de brasileiros. Entre mulheres a incidência é de 8,8% contra 7,4% dos homens.

 

A mulher tem maior tendência para se tornar diabética porque na maternidade pode ganhar peso, e 16% contraem diabetes gestacional, que embora desapareça após o parto, pode se tornar um mal permanente. O problema é que o diabetes é uma doença progressiva e aumenta em até 25 vezes o risco de perder a visão. Isso porque, afeta toda a circulação, inclusive dos delicados vasos sanguíneos do fundo do olho sem dar qualquer sinal de alerta no início. Por isso, toda pessoa que tem diabetes deve fazer exames oftalmológicos periódicos. Caso enxergue manchas escuras deve consultar um oftalmologista imediatamente. 

 

O maior risco de cegueira entra diabéticos foi comprovado por uma recente pesquisa desenvolvida em 41 países, incluindo o Brasil, pelo IDF (International Diabetes Federation),  IAPB (agência de controle da cegueira ligada à OMS)  e IFA ( International Federation on Ageing). A pesquisa mostra que metade dos diabéticos só são diagnosticados anos depois de conviver com a doença e quanto mais tardio é o diagnóstico, maior a chance de perder a visão.  Pior: quase um terço, 31%, nunca receberam informação sobre as doenças oculares decorrentes do diabetes, importantes causas de perda definitiva da visão entre pessoas de 20 a 60 ano.

 

Além das alterações na retina, o diabetes dobra o risco de contrair catarata segundo um estudo realizado no Reino Unido com mais de 50 mil pessoas. isso acontece porque os depósitos de glicemia nas paredes do olho somados às constantes oscilações dos níveis glicêmicos aumentam a formação de radicais livres e aceleram o processo de envelhecimento do cristalino, lente interna do olho. Vale destacar que o adiamento da cirurgia é contraindicado porque torna o procedimento mais perigoso, além da catarata avançada impedir o acompanhamento de alterações na retina causadas pelo diabetes. Aumentando portanto o risco de  perdairreparável da visão.

 

O diabetes pode ser do tipo 1 que afeta 10% dos brasileiros  e é resultado da menor produção de insulina pelo pâncreas. A falta de insulina, hormônio que transforma a glicose dos alimentos em energia, cria depósitos de glicemia no sangue. O tratamento para reequilibrar o organismo é feito com reposição de insulina.

Nos outros 90%  é do tipo 2 e resulta de uma resistência das células à insulina. Está relacionado à hereditariedade, sedentarismo, obesidade e estresse. . O tratamento é feito com medicamentos que estimulam a produção de insulina, mas a manutenção de uma dieta equilibrada é fundamental. O problema é que o 44% dos participantes da pesquisa internacional afirmaram que   têm dificuldade para manter a dieta correta.

 

A pesquisa também  mostra que os tratamentos para retinopatia diabética e edema macular combinam mais de uma terapia ao redor do mundo. Os mais usados são o laser e a terapia anti-VEGF.  Quase um terço dos participantes, 29%, afirmaram ter dificuldade para pagar os exames. A boa notícia é que no Brasil os planos de saúde passaram a cobrir a partir deste ano a OCT (Tomografia de Coerência Óptica) exame essencial no acompanhamento oftalmológico de diabéticos e a terapia anti-VEGF. Por isso, mais brasileiros já podem preservar a visão das doenças na retina.

 

*Leôncio Queiroz Neto – Presidente do Instituto Penido Burnier, membro do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) e da ABCCR (Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa)

 

 

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